Friday, October 5, 2012

"Travessia"



Para atravessar o rio de lavra
da memória
onde uma armadilha-pântano
 espreita a cada passo,
invento uma jangada de fogo.

As lembranças são tatuagens de luz.





  Para acompanhar Roseana nessa "Travessia" deixo  Carla Bruni  com Tout Le Monde.



    Bom fim de semana!!
Lau
                                                                      



"A poesia de Roseana Murray é feita de transparências e delicadezas. Como se ela falasse para mostrar o silêncio.E assim a linguagem alcança a condição de pluma ou porcelana".(Ferreira Gullar) 



E.T.
Obrigada à nova @miga que aqui chegou. 
Seja bem-vinda!


Fonte: Poemas Para Ler Na Escola, página 54. Editora Objetiva.
Imagem:  W Glover.

Tuesday, October 2, 2012

" No varal"


As roupas dançam no varal,

pingam água limpa,
já lavadas de todas as horas
que ficaram no fundo do rio,
viraram lodo, lembrança,
e agora, como pássaros coloridos
aprisionados no vento
esvoaçam enquanto o sol mergulha.

(Roseana Murray)(link)




A poesia de Roseana nos captura pela harmonia do texto e depois, com o tempo,vislumbramos o apuro do detalhe,a sutileza,a visão do mundo da autora. A interação lúdica com o leitor é uma de suas principais   marcas.
Não é à toa que Roseana tem mais de quarenta títulos dedicados ao público infantojuvenil. E, por estarmos na Semana da Criança, trarei, mais uma vez, a poesia de Roseana para o Renascendo.



 Hoje deixo um vídeo com a atriz, 
cantora e apresentadora Hebe Camargo,(link)
 que luarizou-se, como diria o Grande poeta Quintana, nesse sábado, 29, aos 83 anos.
(e inteiraça, com toda a energia que mostra no vídeo).
Que descanse em paz a eterna dama da televisão brasileira .

      É preciso saber viver. Como é... como é...                                                                          
     * Hebe canta uma das mais conhecidas canções do rei Roberto Carlos.(link)               



Um beijo
Lau



E.T.
Mais três @migos ancoraram aqui.  
Obrigada! Sejam bem-vindos!



Fonte: Rosena Murray- poemas para ler na escola- Seleção Hebe Coimbra., página 75 -Editora Objetiva.
Imagem: Dancing in the wind by Pixdaus

Thursday, September 27, 2012

"Silêncio" (Da Série, Setembro com Quintana)


 Pierre Auguste Renoir -(1841-1919)
                                                                                                 

Uma das conquistas do cinema sonoro foi a descoberta do silêncio _ o silêncio de quando se espera ou se imagina uma coisa.

No tempo do silencioso, ignorava-se o silêncio: havia sempre nas salas de projeção o pano de boca da orquestrinha, como hoje o pano do fundo musical.

Me ocorre tudo isso ao ver Frenesi, o último filme do Mestre Hitchcok, que, Deus o abençoe,não criou mofo com a velhice.

Há, neste filme, uma esquina terrivelmente silenciosa sem ninguém. E uma escada deserta por onde sente-se que o silêncio vai subindo. Um truque de objetiva , sim, mas pura magia do mestre.

Alias,o silêncio é que torna tão impressionante - tão de outro mundo _ uma rua numa tela. Que torna  tão encantadora as crianças daquelas cenas familiares pintadas pelo velho Renoir. E mesmo lendo-se um romance, ouvindo-se um drama _nós o fazemos em um silêncio de almas desencarnadas ,isto é, quando nos vemos livres de nós mesmos.Esse é o milagre da arte.

E, diante disto, bem se poderia dizer que toda arte é feita de silêncio.

(Mario Quintana) (link)


 Para acompanhar o Silêncio de Quintana ,deixo
Sonidos del Silencio, música andina.(link)

  

 E como hoje comemora-se o dia De  São Cosme e São Damião, deixo mais esse:

:

Que Cosme e Damião proteja às crianças e a todos nós contra as maldades, a inveja ... e tudo de ruim e nocivo que há nesse mundo. 

Um beijo 

Bom fim de semana!

Lau


E.T. Obrigada às duas  novas @migas que aqui chegaram.
Sejam  bem-vindas!





Fonte: A Vaca e o Hipogrifo, Mario Quintana, pág. 230-Editora Alfaguara.
Aqui  tem tudo sobre Marisa Monte.
E aqui está o WebMuseum de Renoir. Super legal o site.
Tela de Renoir : Madame Georges Charpentier e suas filhas - 1878-

Monday, September 24, 2012

"Os Excitantes e a Saturação" (Da Série Setembro com Quintana.)




Antes era a ponta do pé, nos primeiros tempo do romantismo, depois os braços, de que o velho Machado não tirava os olhos.Agora, que está tudo à mostra, ninguém nota.O mesmo se dá com a literatura, onde tudo se nomeia e nada se diz.

E como imaginação é que excita e, faltando ela, tudo falta, veio o pulo, o barulho, o berro, para substituir a dança, a música, o canto.

Em todo caso, é de esperar que não se esteja regredindo. 

Apenas uma pausa.

Talvez uma necessária sonoterapia na arte de sentir e de expressar-se.

( Mario Quintana. In:  A Vaca e o Hipogrifo)


Hoje deixo o Grande Ray Charles, que, se não tivesse virado estrelinha, ontem  faria 82 anos. 
Parabéns, Ray!!!



Vou deixar mais um pouquinho de Ray:


 Um beijo para os  meus  amigos

Boa semana!

Bye...

Lau


26
 Aqui pode-se relembrar  o Grande Ray. 

E aqui também.

Fonte : A Vaca e o Hipogrifo, Mario Quintana- página 90. Editora Alfaguara.
Imagem by C.M.

Saturday, September 22, 2012

Sobre o Dadaísmo ...


Essa semana,que acaba hoje,estudei com a minha princesa Rafaella a também "Semana de Arte Moderna".E ela achou o maior barato quando chegamos à Vanguarda Europeia e surgiram os vários "ismos": "achismos", Futurismo, Expressionismo,Cubismo...Surrealismo...

Mas quando ela  bateu os olhinhos  no "Dadaísmo"...ela logo me  disse :"Poxa, escreve sobre isso no seu blog"."É muito engraçado,e fácil né, fazer um poema ou escrever um texto implicando com os outros e ainda pegando as  coisas dos outros".

Coisas de criança... esperta. E também como nada é por acaso,(lamentavelmente) resolvi trazer para os amigos que passam por aqui  um pouquinho sobre o assunto.

Em 1916, em plena guerra, quando tudo fazia supor uma vitória alemã, um grupo de refugiados em Zurique, na Suíça, inicia o mais radical movimento da vanguarda europeia: o Dadaísmo .

A própria palavra "dadá", escolhida (segundo eles ao acaso) para batizar o movimento não significa "nada".

Negando o passado, o presente e o futuro,o Dadaísmo é a total falta de perspectiva diante da guerra,daí ser contra teorias, as ordenações lógicas, pouco se importando com o leitor.

Aliás, é também contra os manifestos, como afirma um de seus iniciadores, Tristan Tzara (1896- 1963), em seu "Manifesto Dadá" 1918 :

"Eu escrevo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e não sou por princípio contra os manifestos, como sou também contra os princípios".

Loucura esse Dadaísmo, eu quem digo. Piração total.Mas para o "movimento" o importante era criar palavras pela sonoridade, quebrando as barreiras do significado; importante era o grito, o urro contra o capitalismo burguês e o mundo em guerra - a propósito, no prefácio à Paulicéia Desvairada, Mário de Andrade assim se manifesta sobre a leitura da poesia "Ode ao  Burguês": "Quem  não souber urrar não leia "Ode ao Burguês".

 "Falei" tanto e  só no final é que vem o  mote do  meu post, o mais  bizarro sobre esse movimento. E é  quando Czara dá as regras,o caminho das pedras para se  fazer um poema Dadaísta.

Como fazer um poema Dadaísta

                     Pegue um jornal  (eurekaaa)
Pegue a tesoura
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar ao seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente
Tire em seguida cada pedaço um após o outro
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa,
ainda que incompreendido do público. :)

(CZARA, Tristan. In: Teles Gilberto Mendonça,
Vanguarda Europeia Modernismo Brasileiro, Rio de Janeiro, Vozes, 1972).



 Para  acompanhar esse post, meio dadaísta,deixo o Grande Celso Fonseca,





 Recadinho:
Dei um pequeno "intervalo" nas minhas prometidas publicações sobre "Setembro com Quintana".
 Na segunda, Quintana estará de volta.
      
Um beijo ♥
Bom Domingo ! :):)
Lau





 + Post da série os papéis que temos de fazer nesse mundo digital.
Imagem do site " Eu Amo Música"
Fonte  sobre A Semana da Arte Moderna: Literatura Brasileira de José Nicola, página 178 -Editora Scipione.

Wednesday, September 19, 2012

Instabilidade, da "série Setembro com Quintana".



Muita vez(linguagem de Quintana) me entretenho em reconstruir de memória a nossa antiga casa paterna. Deixo-me estar no caramanchão,com sua mesa de pedra apanhando o sol coado pelas trepadeiras.

Quanto aos longos dos corredores, será melhor que os evoque de noite,quando, no escuro do quarto, fico a imaginar que a noite de agora está cobrindo ainda a velha casa.

Sim! nesta época de grandes transformações arquitetônicas, a nossa alma teimosa continua morando nessas casas fantasmas.

Reconstruíram-se a cidade antiga, mas esqueceram-se de reconstruir as nossas almas. Daí,a instabilidade contemporânea.

Porque não somos contemporâneos de nós mesmos. Porque, hoje, só podemos dizer com saudade aquele belo verso de Saint-Beuve:

"Naître, vivre et mourir dans la même maison..." 

P.S. Este verso, é a segunda vez que cito neste livro.

Mas não há motivo para pedir desculpas. Muito pelo contrário.

( Mario Quintana,(link) do signo de Leão,em "A Vaca e o Hipogrifo").



Para acompanhar o francês de Drummond, deixo Carla Bruni: (link)  
A letra da canção é dela, da Carla Bruni. 





E deixo, também, o Tatu :) ,o mascote da Copa do Mundo,
 que será no meu  Brasil varonil em 2014.
Quintana adoraria conhecê-lo, tenho certeza.

http://www.youtube.com/watch?v=OOZPoxx3XUE&feature=share&list=PLC6A454DD385AAB9F

Só faz gol de placa. ♪♪♪ . É a sensação.  E é campeão ...♪♪♪

Um beijo

Obrigada aos  novos @migos que chegaram e deixaram suas impressões faciais.
Sejam bem-vindos!

Lau                                    


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Uma pequena ,se é que se possa assim adjetivar... sinopse ...do livro.

Antonio Carlos Secchin é quem assina o prefácio "Quintana: a desmontagem do mundo",e explica quem/que  é o hipogrifo. Um animal mitológico misto de água, leão e cavalo. Mas que diacho significa uma vaca? Na visão de Quintana, trata-se de um bicho que voa lentamente, porque gosta de apreciar a paisagem e tudo com calma. Como a poesia de Quintana, que jamais é afobada.

Décimo quarto livro do autor, A Vaca e o Hipogrifo, cuja primeira edição remonta de 1977, se constitui numa excelente amostragem do estilo enganosamente "fácil" do poeta Quintana.

Secchin acrescenta que o tom de Quintana é informal. As palavras provêm do registro do cotidiano, e a predominância da prosa sobre o verso passa mais ainda essa descontraída interlocução com o leitor.

E mais : mesmo sob esses elementos, que passam uma prática ingênua da criação literária, existe um discreto experimentador de formas , (um gênio esse Quintana, eu quem digo) tanto mais vigoroso quanto menos explícito.

"Se alguém acha que estás escrevendo muito bem, desconfia ...O crime perfeito não deixa vestígios". Dessa eu gostei...:))

 
 
 
Imagem: Lucerner, Suíça, e com direitos autorais.É minha.
Fonte : Livro "A Vaca e o Hipogrifo". Texto retirado- ipsis litteris- da página 270 .

Tuesday, September 11, 2012

" Sobre um post invisível "... como poderia ser...


...um post nada inspirador... 
                      ou
... para quem sabe ler um " ." é letra.















Para acompanhar o post  "invisível" deixo 
 o gênio  Chopin . (link)

Um beijo para os meus amigos que passam por aqui.
 Até...
Lau






Post da série os papéis que temos que viver/fazer no mundo digital. Não é fácil não gente. 
Imagem: revista bianchini. com.br
Título do post registrado na BNRJ de acordo com a Lei de Direitos autorais, morais, patrimoniais.