Para acompanhar Roseana nessa "Travessia" deixo Carla Brunicom Tout Le Monde.
Bom fim de semana!!
Lau
"A poesia de Roseana Murray é feita de transparências e delicadezas. Como se ela falasse para mostrar o silêncio.E assim a linguagem alcança a condição de pluma ou porcelana".(Ferreira Gullar)
E.T.
Obrigada à nova @miga que aqui chegou.
Seja bem-vinda!
Fonte: Poemas Para Ler Na Escola, página 54. Editora Objetiva.
A poesia de Roseana nos captura pela harmonia do texto e depois, com o tempo,vislumbramos o apuro do detalhe,a sutileza,a visão do mundo da autora. A interação lúdica com o leitor é uma de suas principais marcas.
Não é à toa que Roseana tem mais de quarenta títulos dedicados ao público infantojuvenil. E, por estarmos na Semana da Criança, trarei, mais uma vez, a poesia de Roseana para o Renascendo.
Hoje deixo um vídeo com a atriz, cantora e apresentadoraHebe Camargo,(link)
que luarizou-se, como diria o Grande poeta Quintana, nesse sábado, 29, aos 83 anos. (e inteiraça, com toda a energia que mostra no vídeo).
Que descanse em paz a eterna dama da televisão brasileira .
É preciso saber viver. Como é... como é...
* Hebe canta uma das mais conhecidas canções do reiRoberto Carlos.(link)
Um beijo
Lau
E.T. Mais três @migos ancoraram aqui. Obrigada! Sejam bem-vindos!
Fonte: Rosena Murray- poemas para ler na escola- Seleção Hebe Coimbra., página 75 -Editora Objetiva.
Uma das conquistas do cinema sonoro foi a descoberta do silêncio _ o silêncio de quando se espera ou se imagina uma coisa.
No tempo do silencioso, ignorava-se o silêncio: havia sempre nas salas de projeção o pano de boca da orquestrinha, como hoje o pano do fundo musical.
Me ocorre tudo isso ao ver Frenesi, o último filme do Mestre Hitchcok, que, Deus o abençoe,não criou mofo com a velhice.
Há, neste filme, uma esquina terrivelmente silenciosa sem ninguém. E uma escada deserta por onde sente-se que o silêncio vai subindo. Um truque de objetiva , sim, mas pura magia do mestre.
Alias,o silêncio é que torna tão impressionante - tão de outro mundo _ uma rua numa tela. Que torna tão encantadora as crianças daquelas cenas familiares pintadas pelo velho Renoir. E mesmo lendo-se um romance, ouvindo-se um drama _nós o fazemos em um silêncio de almas desencarnadas ,isto é, quando nos vemos livres de nós mesmos.Esse é o milagre da arte.
E, diante disto, bem se poderia dizer que toda arte é feita de silêncio.
Antes era a ponta do pé, nos primeiros tempo do romantismo, depois os braços, de que o velho Machado não tirava os olhos.Agora, que está tudo à mostra, ninguém nota.O mesmo se dá com a literatura, onde tudo se nomeia e nada se diz.
E como imaginação é que excita e, faltando ela, tudo falta, veio o pulo, o barulho, o berro, para substituir a dança, a música, o canto.
Em todo caso, é de esperar que não se esteja regredindo.
Apenas uma pausa.
Talvez uma necessária sonoterapia na arte de sentir e de expressar-se.
Essa semana,que acaba hoje,estudei com a minha princesa Rafaella a também "Semana de Arte Moderna".E ela achou o maior barato quando chegamos à Vanguarda Europeia e surgiram os vários "ismos": "achismos", Futurismo, Expressionismo,Cubismo...Surrealismo...
Mas quando ela bateu os olhinhos no "Dadaísmo"...ela logo me disse :"Poxa, escreve sobre isso no seu blog"."É muito engraçado,e fácil né, fazer um poema ou escrever um texto implicando com os outros e ainda pegando as coisas dosoutros".
Coisas de criança... esperta. E também como nada é por acaso,(lamentavelmente) resolvi trazer para os amigos que passam por aqui um pouquinho sobre o assunto.
Em 1916, em plena guerra, quando tudo fazia supor uma vitória alemã, um grupo de refugiados em Zurique, na Suíça, inicia o mais radical movimento da vanguarda europeia: o Dadaísmo .
A própria palavra "dadá", escolhida (segundo eles ao acaso) para batizar o movimento não significa "nada".
Negando o passado, o presente e o futuro,o Dadaísmo é a total falta de perspectiva diante da guerra,daí ser contra teorias, as ordenações lógicas, pouco se importando com o leitor.
Aliás, é também contra os manifestos, como afirma um de seus iniciadores, Tristan Tzara (1896- 1963), em seu "Manifesto Dadá" 1918 :
"Eu escrevo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e não sou por princípio contra os manifestos, como sou também contra os princípios".
Loucura esse Dadaísmo, eu quem digo. Piração total.Mas para o "movimento" o importante era criar palavras pela sonoridade, quebrando as barreiras do significado; importante era o grito, o urro contra o capitalismo burguês e o mundo em guerra - a propósito, no prefácio à Paulicéia Desvairada, Mário de Andrade assim se manifesta sobre a leitura da poesia "Ode ao Burguês": "Quem não souber urrar não leia "Ode ao Burguês".
"Falei" tanto e só no final é que vem o mote do meu post, o mais bizarro sobre esse movimento. E é quando Czara dá as regras,o caminho das pedras para se fazer um poema Dadaísta.
Como fazer um poema Dadaísta
Pegue um jornal (eurekaaa)
Pegue a tesoura
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar ao seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente
Tire em seguida cada pedaço um após o outro
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco. O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público. :)
(CZARA, Tristan. In: Teles Gilberto Mendonça,
Vanguarda Europeia Modernismo Brasileiro, Rio de Janeiro, Vozes, 1972).
Para acompanhar esse post, meio dadaísta,deixo o Grande Celso Fonseca,
Recadinho:
Dei um pequeno "intervalo" nas minhas prometidas publicações sobre "Setembro com Quintana".
Na segunda, Quintana estará de volta.
Um beijo ♥ Bom Domingo ! :):) Lau
+ Post da série os papéis que temos de fazer nesse mundo digital.
Imagem do site " Eu Amo Música"
Fonte sobre A Semana da Arte Moderna: Literatura Brasileira de José Nicola, página 178 -Editora Scipione.
Muita vez(linguagem de Quintana) me entretenho em reconstruir de memória a nossa antiga casa paterna. Deixo-me estar no caramanchão,com sua mesa de pedra apanhando o sol coado pelas trepadeiras.
Quanto aos longos dos corredores, será melhor que os evoque de noite,quando, no escuro do quarto, fico a imaginar que a noite de agora está cobrindo ainda a velha casa.
Sim! nesta época de grandes transformações arquitetônicas, a nossa alma teimosa continua morando nessas casas fantasmas.
Reconstruíram-se a cidade antiga, mas esqueceram-se de reconstruir as nossas almas. Daí,a instabilidade contemporânea.
Porque não somos contemporâneos de nós mesmos. Porque, hoje, só podemos dizer com saudade aquele belo verso de Saint-Beuve:
"Naître, vivre et mourir dans la même maison..."
P.S. Este verso, é a segunda vez que cito neste livro.
Mas não há motivo para pedir desculpas. Muito pelo contrário.
( Mario Quintana,(link)do signo de Leão,em "A Vaca e o Hipogrifo").
Para acompanhar o francês de Drummond, deixo Carla Bruni:(link) A letra da canção é dela, da Carla Bruni.
E deixo, também, o Tatu :) ,o mascote da Copa do Mundo,
que será no meu Brasil varonil em 2014.
Quintana adoraria conhecê-lo, tenho certeza.
Uma pequena ,se é que se possa assim adjetivar... sinopse ...do livro.
Antonio Carlos Secchin é quem assina o prefácio "Quintana: a desmontagem do mundo",e explica quem/que é o hipogrifo. Um animal mitológico misto de água, leão e cavalo. Mas que diacho significa uma vaca? Na visão de Quintana, trata-se de um bicho que voa lentamente, porque gosta de apreciar a paisagem e tudo com calma. Como a poesia de Quintana, que jamais é afobada.
Décimo quarto livro do autor, A Vaca e o Hipogrifo, cuja primeira edição remonta de 1977, se constitui numa excelente amostragem do estilo enganosamente "fácil" do poeta Quintana.
Secchin acrescenta que o tom de Quintana é informal. As palavras provêm do registro do cotidiano, e a predominância da prosa sobre o verso passa mais ainda essa descontraída interlocução com o leitor.
E mais : mesmo sob esses elementos, que passam uma prática ingênua da criação literária, existe um discreto experimentador de formas , (um gênio esse Quintana, eu quem digo) tanto mais vigoroso quanto menos explícito.
"Se alguém acha que estás escrevendo muito bem, desconfia ...O crime perfeito não deixa vestígios". Dessa eu gostei...:))
Imagem: Lucerner, Suíça, e com direitos autorais.É minha.
Fonte : Livro "A Vaca e o Hipogrifo". Texto retirado-ipsis litteris- da página 270 .