Tuesday, April 13, 2010

Parece que foi ontem...



Hoje eu brinco, pulo , canto
assim como os passarinhos,
e mais eu canto me encanto
porque meu blog faz aninhos.

Carlos Drummod de Andrade in, "Meu bem Faz Aninhos"
(excerto, com ligeeeeeeira adaptação)



Olá pessoal, a vida é uma caixinhas de surpresas. A semana passada não havia comemoração, só tristeza. Hoje comemoro um aniversário, não tão efusivamente como queria, mas comemoro. Parece que foi ontem, mas há exatamente um ano, o Renascendo entrou no ar no "blogspot", espaço tão agradável e democrático. Inicialmente pensei em criar um blog temático. Mas depois fiquei me perguntando quem se interessaria tanto por dislexia, psicomotricidade... Ou, então, por "releases", briefings, house organ, esses últimos, assuntos que venho tratando há mais de 20 anos. 

 A verdade é que ao longo desse tempo cansei de tanto divulgar eventos, pessoas e muitas vezes, confesso, de tirar leite de pedra, vocês hão de me entender. Por isso a ideia de criar um blog onde pudesse escrever um pouco do que sinto, do que vivenciei nas minhas viagens , do que leio, ouço... 

Um blog onde pudesse também corujar filho, filha e netos. Não só os que estão pertinho de mim, como a que está tão longe. Um lugar também para registrar a evolução do meu varãozinho ... Enfim, compartilhar momentos gostosos, agradáveis e também os "não tão agradáveis" que, infelizmente, fazem parte do meu desastrado perfil. 

Quando criei o Renascendo , não imaginava que fosse durar tanto tempo. E hoje, depois de um ano no ar, estou muito feliz de ter feito tantas amizades virtuais , de estar aprendendo com vocês e, principalmente, de receber esses comentários in- te-li-gen- tís-si-mos, amigos, carinhosos, solidários , poéticos e muitas vezes super divertidos.

Vocês não imaginam como AMO ligar o computador e me deparar com os comentários que vocês me deixam. Sou exatamente o que declaro no meu perfil . Monólogos , só no teatro, na TV, em desenhos animados. Daí as minhas enoooormes réplicas. Mas se justificam. Em razão de não ter muito tempo para troca de e-mails, bato um papinho básico,super agradável , com os amigos que me visitam e que muito me alegram .

No mundo em que vivemos, um mundo tão complicado, tão desagregado , tão injusto, essa experiência , essa troca que fazemos aqui, é muito saudável . E, muitas vezes, providencial. Basta estarmos num dia não tão alegre e escrevermos algo mais "down", que surgem rapidinho palavras solidárias, de incentivo, de conforto. E há algo melhor do que encontrar pessoas amigas, carinhosas, solidárias ? Não, meesmo. 

O que me encanta aqui também é essa diversidade de cultura. Toda vez que acesso meu blog, costumo dizer aqui em casa, "Gente vou viajar". E viajo, em segundos, através dos blogs de amigos de Portugal, Espanha, India, Canadá,Alemanha, Chile, Argentina, Estados Unidos e outros países. 

No Brasil, então, vou a todos os lugares. Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco, Rio Grande Do Sul, Brasília e por aí vou por esse Brasil afora... aprendendo e trocando informações.

Quero deixar registrado o meu agradecimento pelo carinho que recebo de todos os amigos que passam por aqui e também aos que deixam suas "impressões faciais". Acho o " must" aquelas pequenininhas fotos me olhando. A sensação é de que estou recebendo as pessoas na minha casa. Sejam bem-vindos!
 

Como não posso dar, pessoalmente, um pedacinho do bolo a cada um de vocês, contratei esses pássaros. Espero que gostem do bolo, assim como gosto (muito) de conviver com todos.


Muito obrigada por a cada dia ir Renascendo , através de cada um de vocês que passa por aqui.

Um beijo

Com carinho

Lau


Em tempo (pra variar)

Desculpem os "flashbacks", nos links em destaque. Mas aniversário é assim mesmo.
Relembramos o tempo...que passou.



Imagesn : Pixdaus, editadas no Picasa by LMLau

Friday, April 9, 2010

Das emoções...


Um dia desses, cheguei à minha casa resmungando... dizendo que queria ser diferente. Há dias em que esqueço que a vida é simplesmente como ela é.

Talvez tenha sido Benjamim Franklin quem melhor definiu tudo isso que sinto em determinados momentos :”Nossa perspectiva limitada, nossas esperanças e medos tornam-se nossa medida para a vida e quando as circunstâncias não se encaixam nas nossas ideias, tornam-se nossas dificuldades".

"Nós passamos nossas vidas querendo que coisas, pessoas e acontecimentos sejam exatamente como nós desejamos que sejam- e quando eles não são, lutamos e sofremos”
. E como sofremos... Falo isso por mim...


Ultimamente ando chorando por tudo. Choro por notícias terríveis, como as que estamos vendo essa semana no Rio de Janeiro, choro por uma música, um poema, por esse meninos que perambulam drogados pelas ruas, por um telefonema, uma palavrinha com menos carinho de um filho... Choro por tudo. Coisas tristes e boas.

Como se não bastassem todos esses motivos, hoje também me emocionei diante de palavras tão lindas e tão sábias de Caio Fernando de Abreu, que resolvi compartilhá-las com os amigos que passam por aqui.

"O pó se acumula todos os dias sobre as emoções. São inúteis os panos, vassouras, espanadores".(Caio Fernando de Abreu)

Tá explicado.


Um beijo, amigos, com a promessa que sairei desse baixo astral.

Bom fim de semana!

Lau



Imagem: Corbis
Caio Fernando de Abreu in, 'Triângulo das Águas'

Caio Fernando Loureiro de Abreu (Santiago, 12 /09/48, Porto Alegre, 25/02]96) foi um jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro.Apontado como um dos expoentes de sua geração, a obra de Caio Fernando Abreu, escrita num estilo econômico e bem pessoal, fala de sexo, de medo, de morte e, principalmente, de angustiante solidão.

Tuesday, April 6, 2010

Ainda sobre a Chuva...


... não a poética, do post de ontem. A dessa madrugada, que se estendeu durante todo o dia, que vem fazendo dezenas de vítimas na cidade do Rio de Janeiro e em toda região metropolitana .


Hoje estou melancólica e suspirosa [...] choveu muito,
a água invadiu este porão de lembranças, bóiam na enxurrada a caminho do rio.
Deixo que naveguem, pois não as perderei.
O rio é dentro de mim.

(Adélia Prado, in: Filandras)


Ao meu Rio de Janeiro... (click)

Um beijo, amigos, estou muito triste hoje.

Lau

* clique nos links em destaque e mantenha-se informado sobre a violenta chuva que caiu sobre o Rio.

Adelia Prado, escritora e poeta mineira (13/12/1936). Sua obra recria com uma linguagem despojada e direta, frequentemente lírica, a vida e as preocupações dos personagens do interior de Minas. Adélia Luzia Prado de Freitas nasceu em Divinópolis. Aos 14 anos, já escreveu seus primeiros versos.
Imagem: "tears in river"

Monday, April 5, 2010

Sobre a Chuva ...

clique para ampliar


Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.


(assim como cada um de nós, não é amigos?)

(Alberto Caeiro in, "Dia de Chuva"- Poemas Inconjuntos)







Alberto Caeiro (16 de Abril de 1889 - 1915) poeta português , considerado o Mestre Ingénuo dos heterônimos e do próprio Fernando Pessoa, apesar da instrução primária . Poeta ligado à natureza, que desprezava e repreendia qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão ("pensar é estar doente dos olhos"). Proclama-se assim um anti-metafísico. Afirma que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro.


Imagem: "rainy days", by pixdaus.


Itálico



Em Tempo

Mais doi selinhos para a minha coleção. Muito obrigada !
Esse veio da amiga Zilda Santiago, do blog http://zildasantiago.blogspot.com/ .

E esse veio da amiga Graça Pereira, do blog http://zambezianachuabo.blogspot.com/ .
Aproveito para oferecê-los aos amigos que passam por aqui. Fiquem à vontade.



Uma boa semana para todos os amigos.

Um beijo


Lau

Tuesday, March 30, 2010

Da experiência própria ...



A dor não ensina só a gemer...
ensina a flutuar
a não hesitar
em equilibrar
pensamentos
que balançam
entre o temor
e a esperança .
(Lau Milesi)



Em tempo
Bom dia amigos, depois de 10 longos alquebrados e doloridos dias de outono, sem sair à rua, volto hoje à megalópole. Uhuhuhuhu !!!!!
Beijos
Lau

Um blog é sua própria tribuna virtual, onde você pode acordar toda manhã e, em forma de coluna, folheto informativo, ou apenas uma dissertação, contar ao mundo o que você pensa sobre qualquer assunto, enviar o arquivo para o seu próprio website e então esperar que o mundo o acesse.
(Thomas L. Friedman)

Imagem: Interesting picture in the wall, by Pixdaus  

o.k.

Thanks. 

Friday, March 26, 2010

"Viver não é perigoso? Então, com sua licença".



Viver é um descuido progressivo.

sigo à risca.

Me descuido e vou ...

Quebro a cara.

Quebro o coração.

Tropeço em mim.

atolo nos cinco sentidos.

Viver não é perigoso?

Então, com sua licença.


( Guimarães Rosa)

( ao meu querido e saudoso pai, que também gostava de viver perigosamente e que virou estrelinha num fatídico dia 26 de março)

Recadinho

Queridos amigos, quero agradecer todo o carinho
que recebi por conta da minha desastrada aventura,
divivida com vocês no meu último post.
Vocês não imaginam o quanto me fez bem. Muito obrigada!
Hoje deixo um pouquinho do Grande Guima,


Um beijo e um final de semana bem tranquilo para todos os amigos que me visitam.

Com carinho:

Lau





O Grande Guimarães Rosa nasceu em 27 de junho de 1908, em Cordisburgo, Minas Gerais.Em 1958, foi nomeado ministro e ficou comprovada e reconhecida a genialidade literária do escritor, com a publicação de Corpo de baile e Grande sertão: veredas, ambos de 1956. Faleceu em 19 de novembro de 1967 no Rio de Janeiro, três dias depois de tomar posse na Academia Brasileira de Letras.

Imagem by Posterous


Tuesday, March 23, 2010

" Um baita tombo"


Se fosse Emerson convidaria vocês para viver nos bosques.
Se fosse Thoureau , para a desobediência civil.
Que tal dar uma volta de bicicleta?


Juro a vocês, meus amigos, que as frases acima fariam parte do lead de um texto que escreveria sobre "pedalar", o que adoro e costumo fazer sempre, principalmente, aos sábados. Mas o enfoque do texto foi mudado. "Teve que"... e de maneira drástica.

O último sábado ensolarado no Rio de Janeiro prometia ser um dia bem agradável, a começar pela minha rotina de pedaladas. Mas quando dizem que nem tudo são flores, devemos acreditar piamente, imprimir a frase em letras garrafais e colocá-la na porta da geladeira, como tela de descanso no computador ou até mesmo numa bicicleta, que se tornou a vilã da desagradável situação que vivi e que conto agora para os meus amigos.

Inconsequentemente,no sábado passado, resolvi descer uma rua em acentuado declive pilotando minha ex-amiga magrela. Só que seu sistema de freios falhou.E esse foi o motivo para protagonizar uma bela e perigosa vídeo cassetada.


Não desejo nem aos nossos maus políticos o que passei ao tentar parar minha bicicleta,que insistia em não obedecer meu comando. O desespero em tentar controlar a bike e o fato de não alcançar êxito na minha empreitada me fez capaz de uma proeza digna de um prêmio: "a anta do ano". 

E explico o motivo da premiação.Ao tentar saltar da bicicleta, meu corpo aliou-se à empolgação em que ela descia e tomou um impulso tão forte,mas tão forte, que me levou a permanecer no ar por alguns instantes ... e catapóft! esborrachei-me no chão.


(foto capturada na internet para ilustrar o momento de um tombo de bike)



O momento de um tombo, ou de um baita tombo, melhor dizendo, nos traz as mais variadas sensações. Ora indescritíveis ora descritíveis. Passa um filminho à nossa frente. Você não quer acreditar no que está acontecendo. Vem uma tristeza, [ainda continua...snif], uma mágoa, além de um sentimento de impotência e de abandono tão grandes, que nem Freud conseguiria explicar o porquê disso tudo.

Como se não bastassem esses sentimentos, surgem a vergonha e a vontade de morrer. E eu, por milési...mos (sem trocadilho) de segundos,nesse último sábado, morri.

Como a cena foi presenciada por vááááárias pessoas,a vergonha e a vontade/medo de morrer aumentavam à medida em que ouvia: "não toque nela, é perigoso";"shiiii... tombos assim dão hemorragia interna"; "deve ter quebrado o braço, a perna"... coitada" ;" é... do jeito que ela voou da bike...". E a vítima ali, jogada ao chão, tal como um pepino massacrado em final de feira. O pepino entrou na história porque eu estava vestida na cor verde.

E nesse momento em que fui guardada, fitada pelas pessoas, momento literalmente doloroso, percebi o quanto o carioca está antenado em primeiros socorros... Como dão palpites e fazem diagnósticos. Percebi também que além desse dom e da solidariedade, espetacular por sinal, as pessoas, em geral, têm um lado curioso muuuito aguçado. Exageradamente, eu diria.

Mas a hora não era de questionamentos, imaginem. A única vontade que tinha era de sair correndo, me esconder de tanta vergonha. E foi nesse exato momento que percebi que estava lúcida, mas não conseguia me movimentar.E,então,levei à frente minha morte aparente, brincando de morto-vivo, com ligeiras adaptações.

E a brincadeira funcionou mais ou menos assim : quando alguém se aproximava, me olhava ,eu fechava os olhos.Quando se afastava eu abria. Continuei assim por um bom tempo e só abri meus olhos definitivamente quando chegou o socorro médico.

Graças a Deus, depois de passar por duas clínicas, já estou em casa desde o dia do acidente e sem fratura alguma. Mas ainda muuuuuito dolorida, em razão de uma forte contusão óssea e uma senhora contratura muscular na região do quadril. Além de não poder me movimentar, estou com váááááááários :) arranhões e escoriações,algumas tatuagens de hematomas arco-íris,e 3 pontinhos no pulso esquerdo.

Certa vez, uma amiga blogueira me disse que tudo que acontece comigo rende um post. E esse acontecimento,INÉDITO nas minhas horas pedaladas,não poderia ser diferente.

Lá estou aqui contando a minha triste aventura de um ensolarado sábado. Mas por pouco, muito pouco, não estaria. E não estou fazendo drama. A minha sorte, palavra usada pelo Dr. Alberto, socorrista super amável, foi estar usando meu capacete. Do contrário, poderia estar com ferimentos mais graves ou até chegar ao óbito (médicos usam essa expressão com uma facilidaaade).

Passei esses últimos quatro dias muito triste. Triste por ter dado esse susto à minha família e atrapalhado um final de semana, que é sempre tão esperado na vida de quem trabalha. Refleti muito sobre o que me aconteceu e sobre a minha imprudência.

Como diz a escritora Lya Luft, "viver é cada dia se repensar: feliz, infeliz, vitorioso, derrotado, audacioso ou com tanta pena de si mesmo". Assino embaixo essa pena, pois vocês nem imaginam o que tenho ouvido, de broncas e gozação, em razão do trágico e inconsequente momento que vivi.


Meu filho mais velho, por exemplo, que é muito espirituoso (além da conta) e tem sempre uma frase carinhosa na ponta da língua, me veio com uma história "de que quando a idade mental não condiz com a idade cronológica, o jeito é "tombar" mesmo".

Fique encafifada ao pensar no sentido literal do verbo. [rs] Me senti um prédio histórico todo derrubadinho, aliás, tal como fiquei no meu "baita tombo".


Mas hoje estou mais animadinha por voltar ao convívio de vocês, mesmo que lentamente.


Beijos doloridos para os amigos que passam por aqui e deixam aqueeeeles comentários inteligentes e carinhosos.


Lau Milesi


"Se pedalar use capacete".


Um super beijo para os amigos que me enviaram e-mails me dando aquela força.


Imagens: Bike and flowers, by Pixdaus
Acidente, captada no Web