Monday, December 21, 2009

"Poema de Natal"

(clique para ampliar)

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

( Aos meus pais e a todos que já viraram estrelinha.)


Um beijo

Lau



Vinicius de Moraes in Poemas, sonetos e baladas
... in Antologia Poética
... in Poesia completa e prosa: "O encontro do cotidiano".

Ilustração: Pixdaus

Saturday, December 19, 2009

"Declaração de Amor I"

(clique para ampliar)
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... (plagiando Drummond)

Meu fofinho, meu fofinho, meu fofinho. Meu botão-de-ouro, meu girassol, meu varãozinho,meu reloginho, meu amor - mais - que - perfeito, meu chocolate ao leite, meu bloguezinho, meu luar, meu "cabritinho",meu brigadeiro, meu gnomozinho, meu waffle, meu crisântemo, meu yogoberry, meu "raio de sol" dourado, meu gatinho, meu príncipe, meu carequinha, meu miosótis, meu pãozinho francês, meu SOL ,meu ELIO.
.
Para o Elio, com amor .
Pelo dia de hoje ,em que completa um aninho ,e pela vida eterna... amém.

Com um beijinho e uma amassinho.
Vóvi Lau
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Em tempo

Desculpem por mais essa "corujice", mas até o final desse já tão comemorado dezembro ainda virão mais duas outras . Fazer o quê ? Comemorar, não é?


Um beijo e um final e semana de muita alegria pra todos os amigos que por aqui passam.

Lau

Declaração de  Amor, de Carlos Drummond de  Andrade- (assumidamente e merecidamente adaptada) .

Thursday, December 17, 2009

"Boca de Pato" (reposting)


Hoje estou compartilhando com os amigos que passam por aqui essa bela crônica da grande jornalista Leila Ferreira, do Blog Nós Mulheres. O texto não é novinho, mas também não pode ser considerado "peça de museu", já que o assunto vive em pauta.E ainda mais aqui no Brasil, que, segundo reportagem da Revista de Domingo do jornal O Globo, é o segundo maior consumidor de botox do mundo. Eu não sabia desse "ranking".
"Boca De Pato"

(Leila Ferreira)

A pergunta que não quer calar: por que é que tantas mulheres estão deformando suas bocas? E o verbo não pode ser outro: é deformar mesmo. São bicos assustadores, que transformam o rosto de qualquer mulher numa máscara grotesca. Lábios construídos, preenchidos, completamente artificiais, que parecem ter sido picados por um enxame de marimbondos furiosos. E as mulheres pagam pra ficar com esses lábios! Pagam muito e, o que é mais inacreditável, parecem estar felizes com eles.

O que será que leva uma mulher a se afastar tanto dela mesma? Por que tantas de nós estão entregando seus rostos a “profissionais da beleza” que, loucos pra ganhar dinheiro, constroem mulheres quase sinistras, caricaturas delas mesmas? Por que comprar bocas que lembram bicos de pato e chamam a atenção onde chegam – pela aparência esdrúxula, e não pela beleza?

Cada vez que veja uma mulher assim, na rua ou na TV (sim, porque muitas celebridades aderiram à “boca de pato”), fico tentando imaginar sua história, pensando nos motivos que podem tê-la levado a se deformar achando que ficaria mais bela. Será que foi um amor que acabou? Uma separação? Uma traição? Um recomeço? Ou é apenas a não-aceitação da passagem do tempo?

Como seria bom se, na tentativa de se deformar, cada uma dessas mulheres encontrasse um cirurgião ético, que a demovesse da ideia. Ou, melhor ainda, que cada uma delas, antes de entregar seu rosto a um estranho que não se importa com sua história de vida, ela própria tentasse entender essa história um pouco mais, tentasse se conhecer e se reconciliar com a pessoa que é, em vez de construir com bisturi e silicone uma mulher que talvez nunca chegue a ser?

Enfim, são só perguntas. Não tenho respostas nem receitas. Mas acho que nós, mulheres, temos que nos tratar com mais carinho e mais respeito. É hora de parar de agredir nossa alma e nosso corpo. Nós merecemos uma vida mais feliz e mais leve. E, acima de tudo, merecemos nos reconhecer quando olharmos no espelho.


Um beijo

Lau


Em Tempo

Hoje em dia não são só as meninas que estão correndo atrás desse "photoshop", "menin"os", também, têm recorrido ao produto.

Leila Ferreira é formada em Letras e Jornalismo, com mestrado em Comunicação pela Universidade de Londres. Colaboradora da revista Marie Claire e autora do livro “Mulheres: por que será que elas…?” (Editora Globo)

Tela: "Mulheres e Frutas" do pintor Di Cavalcanti, nascido no Rio de Janeiro.(1897/1976)

Di Cavalcanti, apesar da influência cubista e mesmo surrealista, foi um dos mais típicos pintores brasileiros pelos temas populares que utilizava em suas obras, como o carnaval carioca,mulatas sensuais, paisagens suburbanas e naturezas-mortas com frutas tropicais.Sem falar nos grandes quadros que retratam outras figuras humanas com certo ar de sensualidade.

Monday, December 14, 2009

"Recadinho"

(clique na foto para ampliar- imagem protegida pelo art. 7º, inc. VII da Lei nº 9.610/98)


"Seja um pouco divertido, um pouco descontraído, um pouco menos armado.

Olhe com bondade para o mundo -ele é um filme dos Irmãos Max em que nada dá certo.
Então, tire os sapatos, recoste-se e aproveite o absurdo disso tudo. Volte a ser criança.
A felicidade não requer nada mais do que isso".

(Hugh Prather)



Um beijo, amigos, e uma semana de paz e alegria para todos.



Hugh Prather, autor do livro "How to Live in the World and Still Be Happy".
Prather vive em Tucson, Arizona, USA, e escreve para a Revista Conection.

Foto by Lau Milesi - "Museu de Cera" de Amsterdam .

Saturday, December 12, 2009

O que é "Vontade" ?


“Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.”
"Tem gente que deseja tudo, o tempo todo, e acaba morando na própria vontade".


(Adriana Falcão)



Em tempo (pra variar)

Muito obrigada pelo apoio à minha síndrome pré-natalina. Adorei!!!
Não me senti uma "estranha no ninho".

Um beijo e um bom domingo para todos os amigos que passam por aqui.
Lau


Fonte: Livro "Mania de Explicação" , da escritora carioca Adriana Falcão.

Foto by antoniocbclopes.

Thursday, December 10, 2009

Síndrome Pré...


...NATALINA", é isso mesmo.



Deus me livre... mas odeio esse período pré-natalino. Pra ser sincera, fico doidinha por conta dessa maratona, dessa corrida desenfreada em busca de presentes. Eu não suporto ficar batendo perna em shopping. Dá vontade de sentar no chão e chorar ou então me jogar num carrinho de compras para alguém me empurrar.

E no meu caso, não sei o que me dá. Fico completamente sem criatividade para presentear as pessoas. E olha que é uma das coisas que mais gosto de fazer: presentear. Mas não ser obrigada “a” , será que alguém me entende? Devo estar cansada e acredito que muita gente esteja também. Afinal, já estamos quase chegando ao final de 365 dias vividos numa correria ...

Às vezes, tenho uma inveja (boa) do desprendimento de algumas religiões que não celebram o Natal com essa compulsão de presentes materiais. É muito estressante esse consumismo. As pessoas ficam batendo cabeça nas ruas. E ficam desesperadas, avançam na nossa direção quando veem alguma coisa nas nossas mãos que elas não haviam percebido...

Eu sou vítima dessas situações. Já fiquei puxando uma toalha de banho de um lado e uma senhora de outro. Eu estava com a toalha na mão, em cima do balcão, quando ela veio disfarçando, disfarçando ... e deu um puxão querendo levar a bendita toalha. Puxa daqui, puxa dali, consegui ficar com a disputada peça. Uma cena muito desagradável, mas hilária.

Pode dar a impressão de que sou "pão dura" . Mas não sou não. Acho que isso não acontece só comigo. Essa obrigação de "ter que" comprar presentes , muitas vezes para pessoas que você mal conhece, como no caso de confraternizações de final de ano, vem me desgatando ultimamente.


Certa ocasião, houve uma confraternização pré-natalina no meu trabalho em que ao final da festinha três pessoas permaneceram durante um tempo entreolhando-se, surpresas... As três ganharam o mesmo presente. E mais: a loja ficava pertinho do prédio, onde na época trabalhávamos.

É comprar e dar, entenderam? Missão cumprida. Isso ratifica a minha tese. As pessoas se sentem na obrigação “de”... E aí, não vem a criatividade e nem se “cria a vontade de” procurar algo que seja a cara do seu amigo, por exemplo.

Eu li um artigo falando sobre uma comunidade nos Estados Unidos em que eles utilizaram uma forma alternativa de presentear no Natal. Os presentes aos amigos eram em forma de “doações” personalizadas para instituições que cuidavam de idosos, portadores de doenças mentais ou crianças abandonadas. Com isso, evitavam presentar quem já tinha mais do que o suficiente para comemorar o Natal e ainda praticavam uma boa ação. Não sei se esse altruísmo todo seria aceito aqui. Sei não.

E é também lá na terra de Obama que eles utilizam uma outra maneira de presentear, o "regift". Isso para ser “fina”, porque a expressão correta é "passar à frente" . Minha querida mãe tinha uma amiga (tomara que ela não me leia) que me deu o mesmo presente em dois “natais”. Igualzinho. E logo o que : um perfume, um artigo tão pessoal. Coitada, não deve ter tido paciência de ficar procurando outra coisa ou tinha recebido de alguém e passou à frente.Taí , nessa situação não me incluo em hipótese alguma. Tudo que ganho, guardo com carinho.

A verdade é que aqui na nossa terrinha essa maratona de compras nesse período já é cultural, como dizem alguns. O brasileiro consome todo o seu suado décimo terceiro, esquece dos compromissos do próximo ano,pendura cartão de crédito, cheques... o comércio agradece... e vida e Natal que seguem.

Seguindo em "paz, amor, amizade, harmonia, carinho, respeito e muitas outras coisa boas" é o que importa. Esse deveria ser o "verdadeiro espírito do Natal" . Como diz o escritor americano Harlan Miller, “Oxalá pudéssemos guardar o "verdadeiro espírito de Natal" em jarros e abrir um jarro em cada mês do ano”.

Mas para criar uma "pequena polêmica", encerro a minha síndrome pré-natalina com uma outra citação do escritor, que achei bem interessante:

"Provavelmente, o motivo dessa histeria no Natal, desenfreada, interminável e muitas vezes idiota de comprar tantos presentes esteja em não sabermos como colocar em palavras o nosso amor", diz Miller. Será????


Um beijo

"da sindromática":

Lau

Obs. :Tive essa síndrome no Natal de 2007/2008/ e estou tendo agora, daí o repeteco do texto.
Ilustração: Fotosearch

Peço desculpas pelo longo post. Mas essa síndrome quando chega...


Ilustração: Fotosearch



Monday, December 7, 2009

As lágrimas são a chuva da gente ...


É preciso chorar.
As lágrimas são a chuva da gente,
nuvens do nosso tempo íntimo
precisam desabar.
É preciso chorar,
Lágrimas são os rios do ser,
as cachoeiras da gente,
mudam nosso tempo simples,
atualizam o nosso mar.
É preciso chorar,
é preciso à natureza copiar,
é preciso aliviar e molhar
a seca do coração.
Se não chover vira sertão,
morre homem, morre gado,
morre plantação.

(Elisa Lucinda)


Um beijo para os amigos que passam por aqui e uma boa semana ... sem "a chuva da gente".


Lau


LUCINDA, Elisa. "Mar adentro". In: A fúria da beleza. Rio de Janeiro, RJ: Record, 2006, p. 268.
Elisa Lucinda é poetisa, jornalista, cantora, e atriz brasileira.
Imagem : nothing, by Svletana.

Agradecimento

Agradeço à amiga Angela, do blog http://entremeios-angela.blogspot.com/ o belo selo "HISTO é HISTÓRIA" que me foi entregue.
Adorei!!